ANCINE
Informativo da Agência Nacional do Cinema Nº 12 | 08   










Autoridades reafirmam a importância da co-produção para a projeção do audiovisual brasileiro no exterior

Foi dada a partida para o Seminário de co-produção internacional, evento que tem como objetivo a avaliação de casos de co-produção internacional em cinema e televisão para subsidiar a construção de novas ações públicas no setor e contribuir para a habilitação das empresas produtoras brasileiras na realização de parcerias internacionais. Durante a cerimônia de abertura nessa sexta-feira 25 de setembro, as autoridades brasileiras presentes reafirmaram a importância da co-produção como um instrumento imprescindível para a abertura de novos mercados visando a projeção do produto nacional no exterior.

Participaram da mesa de abertura do evento o ministro da Cultura Juca Ferreira, a ministra Eliana Zugaib, representando o Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores, o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, e o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin.

O ministro Juca Ferreira enfatizou o papel da co-produção audiovisual como um instrumento de integração dos diversos mercados e culturas. “É necessário um esforço maior de integração entre os países da América Latina e a co-produção pode ser um grande instrumento para viabilizarmos uma cinematografia continental”, afirmou, ressaltando o papel que o Brasil, pela sua relevância no contexto latino-americano, pode ter como indutor desse processo de integração. “O papel que temos procurado cumprir é o de criação de territórios institucionais através de sistemas de cooperação e de acordos internacionais para facilitar a realização dessas co-produções”, completou.

De acordo com o ministro da Cultura, há também, além do mercado latino-americano, uma demanda para a cooperação cinematográfica com países africanos e uma possibilidade de diálogo maior com o mercado europeu, sobretudo com Portugal e Espanha, que já sinalizaram com o interesse de reforçar seus mecanismos de cooperação com o Brasil.

A ministra Eliana Zugaib disse esperar que o Seminário resulte em benefícios para o setor audiovisual e para o Estado brasileiro, na medida em que possa reforçar as atuações no campo da Diplomacia Cultural. “Estou convencida de que o cinema brasileiro tem se mostrado bastante sedutor, servindo para reforçar a diversidade cultural do país e se revertendo numa maneira importante de contribuir para que haja um maior entendimento entre os povos”, pontuou.

O diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, declarou que os seminários e encontros internacionais de produtores têm se revelado uma experiência enriquecedora para a percepção das dificuldades enfrentadas por realizadores brasileiros e estrangeiros no desenvolvimento de co-produções. “Temos atuado no sentido de remover os obstáculos que surgem no processo de desenvolvimento dessas co-produções”, disse Manoel Rangel, citando o projeto "Jean-Charles" produção em parceria entre produtores do Brasil e do Reino Unido, país com o qual o Brasil ainda não possui acordo de co-produção.

O diretor-presidente da Ancine também antecipou a realização de novos encontros de produtores no âmbito do Mercosul, com periodicidade semestral, e ainda confirmou, para os próximos meses, a realização de encontros entre produtores brasileiros e produtores de países como Espanha e Alemanha.

A quantidade de co-produções realizadas nos últimos anos foi enfatizada pelo secretário Silvio Da-Rin, que destacou algumas obras recentes, como “Ensaio sobre a Cegueira”, “ Linha de Passe” e “Última Parada 174”, e também apontou a existência de um número elevado de documentários realizados a partir de parcerias com redes de televisão de outros países. “Isso se deve a uma mudança de mentalidade dos produtores, mas se deve também a um papel relevante do governo brasileiro que promoveu a revisão de acordos existentes e criou programas de promoção da exportação do audiovisual nacional, o que tem resultado na presença sistemática das obras brasileiras em festivais internacionais”, acrescentou.

 



Atualmente existem 36 projetos em desenvolvimento

A quantidade de co-produções realizadas nos últimos cinco anos aumentou consideravelmente, conforme apontam os dados resultantes de levantamento realizado pala Ancine. Os números foram apresentados pelo diretor-presidente da Agência, Manoel Rangel, durante a abertura do II Seminário de Co-produção, que acontece nos dias 26 e 27 de setembro, por ocasião do Festival do Rio.

Segundo Manoel Rangel, pouco a pouco o Brasil vem se abrindo mais para o mercado internacional, a partir de novas co-produções cinematográficas. O levantamento feito pela Ancine revela que, até 2002, foram documentados 19 casos de co-produção internacional. Já entre 2003 e 2007, foram contabilizados 37 projetos com entrada nos diversos mecanismos do governo federal. Este número tende a crescer ainda mais nos próximos anos, já que há, atualmente, 36 projetos de co-produção internacional em diversas etapas de desenvolvimento. Estes dados estão disponíveis aqui.

“Isso é resultado de uma mudança de atitude dos nossos produtores que atuam no processo de internacionalização do audiovisual brasileiro, no sentido de elaborar estratégias visando a abertura de novos espaços para a circulação dos nossos produtos”, resumiu Rangel. Para ele, a questão central da política cinematográfica ainda deve ser a expansão e ocupação do mercado interno, visto como algo fundamental para a sustentabilidade da produção local. “Mas nós também entendemos que a ocupação de espaços internacionais é importante do ponto de vista econômico e, principalmente, para a difusão da cultura brasileira”, acrescentou.

Acordos internacionais - Outro ponto ressaltado pelo diretor-presidente da Ancine foi o empenho do governo federal na criação de uma política de promoção da indústria audiovisual brasileira no cenário internacional. Conforme Manoel Rangel, parte deste trabalho está relacionado à aproximação com autoridades cinematográficas de outros países para a assinatura de novos acordos de cooperação e também para a revisão dos acordos existentes.

Neste sentido, foram renovados os acordos com a Alemanha e com a França, e também estará sendo assinado um novo acordo com a Itália, durante o Festival de Roma, em outubro, que contará com a presença do ministro da Cultura Juca Ferreira. “Nos últimos dois anos também visitamos a Índia, a China e a Rússia, prospectando novos mercados, e preparamos um acordo com a Índia que está em processo de aprovação no Congresso Nacional. Também renovamos o acordo Iberoamericano, que envolve 18 países e um programa multilateral de co-produção”, acrescentou.

Outros acordos de cooperação cinematográfica estão em evolução, a exemplo do acordo firmado com Portugal e o Edital da Galícia. Também está em curso uma ampliação do acordo com a Argentina de distribuição bilateral, que caminha agora para ser também um acordo de produção. “Todos esses instrumentos representam o esforço sistemático do governo brasileiro na criação de um ambiente propício para o desenvolvimento do audiovisual no país e para sua projeção no exterior”, concluiu.

 



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